
Ano a ano a cena se repete: a galera se reúne antes da prova, comentam injuriados sobre a quantidade de corredores, acotovelam-se na massa e 15 minutos após a largada começam a correr. A Meia do Rio é isso, uma prova que a maioria reclama do atropelo, mas todo ano está lá, espremendo-se. A prova é belíssima. O Brasil todo vem correr pela orla carioca, que fica recheada de cariocas. De quebra levam ainda, o final de semana vivendo como cariocas, na cidade dos cariocas. Não é pouco não. O Rio sabe acolher seus visitantes. Tem um povo receptivo e de bem com sua cidade. E vai dizer pra eles que a cidade é violenta ou suja ou favelizada. Ele fará rapidamente um longo roteiro com os mais lindos pontos da cidade, isso se não o levar, pessoalmente a alguns deles. É esse clima que envolve a cidade nesses finais de semana. A orla fica repleta de turistas extasiados com a cidade, que até se esquecem porque o Rio é ruim, não encontram razões. Se de quebra o céu estiver claro, a temperatura alta e o mar azul, aí amigo não tem prova melhor pra ser corrida do que esta. Em quanto tempo você vai correr os 21,097 km? Quem se importa com isso quando passa pela Niemeyer ou quando chega no Leblon das novelas do Manoel Carlos ou no Posto 9 de Ipanema, imortalizado pela sunga do Gabeira ou dos apitos do pessoal da fumaça ou quando passa ao largo do Arpoador, entrando em Copacabana. Copacabana, princesinha do mar. Depois vem o Aterro e você se pergunta porque não visita mais as obras de arte do Burle Marx. Terminada a prova é só se espalhar pelos botecos do Flamengo, Botafogo, Glória e quem ainda tiver fôlego, porque não na Lapa? Pois é, a Meia do Rio é assim e todo ano a gente reclama. Mas vai.
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