
As chuvas já deixaram 408 mil desalojados e desabrigados em 429 municípios em 12 estados do Brasil. No Nordeste, o Maranhão é o estado que tem o maior número de municípios atingidos, 105. Depois vem o Ceará com 86, o Piauí com 41, Rio Grande do Norte e Paraíba com 30 cada, Pernambuco com 17, a Bahia com 11, Sergipe com 8 e finalmente Alagoas com 5.
O resultado disso são 281.350 pessoas desalojadas (que podem contar com ajuda de vizinhos e familiares), 127.503 desabrigadas (que perderam tudo e precisam dos abrigos públicos) e 49 mortos por causa dos desastres em oito estados.
Por lá não apareceram nem Lula que somente deu uma sobrevoada rápida e se mandou, nem o doentio José Alencar (neste momento mais preocupado em dar sua agenda de tratamento), muito menos ministro algum para dar coletivas com mapas e explicações e providências do governo que representa.
A mídia cobriu de forma secundária, enquanto as pessoas morriam afogadas em pleno Nordeste. Digo isso em paralelo ao circo que esta sendo montado por conta da queda do avião da Air France. Lá dentro havia 228 pessoas, dessas 58 eram brasileiros, porém foi tratado como um desastre nacional. O Google colocou luto em sua página principal, o O Globo editou um caderno especial na terça (02/06), as rádios e TVs ficam 24 horas explorando o assunto, quer entrevistando especialistas em aviação, desastres e resgate (como existem entendidos). Uma mobilização que enoja. Porque a morte de 58 pessoas que estão indo para Paris emociona o mundo e (por enquanto) 49 desconhecidos nordestinos morrem afogados não provoca o mesmo sentimento. A classe mérdia mostra sua mais nefasta cara quando se solidariza com ilustres desconhecidos que estão indo a Paris e ignora aquele bando de famélicos que insistem em mostrar sua desgraça. Qual destes comovidos cariocas não se veem na posição dos viajantes parisienses e não conseguem se imaginar na vida daqueles paraíbas. Sinto muito pelas famílias que tiveram alguém dentro daquele avião, mas sinto muito mais pelo pessoal lá de cima. Essa moçada não teve a décima parte da atenção e da estrutura que o pessoal da Air France teve. Pior, inundações como essa irão se repetir e o descaso continuará sendo o mesmo. E ainda nem toquei no rompimento da barragem Algodões 1...
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