30 junho 2009

A prova mesmo não poderia ser melhor. Os ônibus chegaram cedo, trazendo a galera do Aterro, guarda-volumes a postos recebendo os agasalhos de quem madrugou na Pça. Do Pontal, chegando antes do tempo bom, água em profusão mesmo antes da largada e largada com pontualidade. Esse foi o comitê de recepção dos valentes corredores.

Surpresa para a maioria daqueles que correram o ano passado foi o número de maratonistas deste ano. Por baixo tinha umas 8 vexes mais pessoas que em 2008. Foi muito bom correr o primeiro trecho (até a Barra) sempre cercado por diversos corredores e não na solidão da Reserva do Recreio, onde se pontuava até os urubus, solitários em seus poleiros e nem aí pra quem corria lá em baixo. A Reserva é um trecho de quase 7km que vivia cercado de solidão. A sorte é ser no inicio da prova, onde o desgaste psicológico praticamente inexiste, percorremos até ali uns 13 km da prova. Não existem moradores, banhistas (a via fica fechada desde as 6 da manhã), surfista, quiosqueiro, cachorro, ninguém fora os corredores passava por ali àquela hora. Domingo passado não. Enchemos a pista de gente animada e sorridente. Foi bem diferente. Chegamos muito mais inteiro para a segunda metade da prova. Some-se a isso a farta distribuição de gel de carboidrato e isotônico logo na saída da Reserva, dali ao Pepê foi um passeio entre a galera que corria, a moçada que estava chegando na praia da Barra e da galera que terminava o sábado com uma saideira no quiosque. Seguimos para São Conrado com energia e bom-humor.

Bem, a partir daí a corrida toma um outro rumo, pra mim é claro. Túnel, São Conrado, subida da Niemeyer e tudo vai bem, mantivemos o ritmo, eu e o Marcão Comandos – experimente correr ao lado de um militar. Na descida caiu junto minha pressão e grande parte da energia guardada para os últimos 10/12 km foram usadas para fazer ela voltar aos patamares de equilíbrio. O que me ajudou e muito, foram as azeitonas que levei para uma emergência (valeu, Aidar). Desci trôpego pela frente do Sheraton e só voltei a correr novamente, embalado pelo descida do Mirante. Toquei o Marcão para que fizesse sua prova normalmente e junto com ele e a Andrea foram também minhas esperanças de tempo. Resolvi então aproveitar a vista do Leblon, Ipanema, Praia do Diabo, Copacabana fazendo um final lúdico e tentando fazer aquela sucessão de sensações estranhas parecerem normais. No túnel de Copa começaram os desconfortos estomacais e me dei conta do que se tratava, acelerei o que pude e terminei um pequeno minuto menos que no ano anterior. Neste mesmo domingo comemorei ainda minha meia-maratona junto da Isabela, comemorações à parte, pegamos o jipinho e fomos pra casa.
O Rio de Janeiro parece mulher de bicheiro, quando sabe que vai ter festa se enfeita toda. De quinta até sábado passado a cidade foi encoberta por uma frente fria, céu cinza, chuva entre pancadas e garoa, frio, sexta-feira então, um dia perdido. Sábado, fim de noite, começa uma tempestade. Raios, trovões e a ameaça de um domingo daqueles. Lá pelas 4hs/5hs da manhã, de novo, tempestade, etc., etc.. Pois não é que lá pelas 8h30 da manhã o céu já estava azul, o mar acompanhando o entorno, resolveu bater forte, querendo aparecer também. Daí pra frente foi só melhorando. Aquecendo aos poucos e mostrando aos mais de 15.000 o que o Rio tem de melhor: sua natureza. Sair do Recreio e chegar no Aterro passando aquela orla, recheada de gente ao sol foi bom demais. Não deu nem pra cansar muito.

25 junho 2009

O que diabos esse pessoal pensa quando coloca a Runners World BR de abril, no kit da Maratona como brinde? Livrar-se de encalhe?
568. Se virem esse número por aí correndo, cumprimentem.
Michael Jackson morreu. Morreu mesmo?
Hoje começa a entrega dos kits para a Maratona do Rio. Já, já vou buscar o meu e o da galera de Sampa. Este ano teremos uma estreante em maratonas. Ela e sua cara metade foram os principais responsáveis pelo minha entrada nesse universo. Ano passado ele me conduziu na minha segunda maratona e este ano vou participar da estréia dela. Obrigado aos dois.

Malucos

A todos que descobrem que irei correr uma maratona a reação é a mesma, falam que é uma maluquice. Não acho. Se achasse não estaria na minha terceira e programando as outras. Correr 42 km não é coisa que possa ser feita por maluco. Exige muito. Muito treino, muita dedicação, muita concentração, muito planejamento, muita disciplina. Não deve ser coisa de malucos, entendendo-se por maluco aquele cara que faz algo por pura empolgação. Apenas empolgação não basta. A corrida traz esse tipo de elemento, ela transforma a pessoa em alguém mais dedicado, mais organizado, mais disciplinado. Quem já correu e terminou bem uma maratona sabe o quanto foi preciso para chegar lá. Ouvi alguém dizer uma vez que só considerou que tinha corrido uma maratona lá pela 3ª, 4ª que ele participava. Foi a partir daí que ele dominou a prova, fez o percurso da forma que planejava e não do jeito que dava. Isso é correr uma maratona. Saber como começar, que velocidade correr, que velocidade manter, a hora de acelerar, a hora de manter, a hora de recuperar, a hora de se doar mais um pouco, tudo pensado, treinado. Por isso não me acho maluco por correr maratona, agora acho maluco quem não queira correr uma.

22 junho 2009

Então tá, 7 dias para a maratona e do último post até hoje muita coisa aconteceu. Maior longão da temporada com 36km, 10 milhas da Prodesporte, mais um longão de 25km e pra finalizar, domingo passado o teste de tempo para a maratona, se repetir o pace faço os 42,195 no tempo planejado. Tiveram ainda intervalados, fartleks e até uma entrevista da galera do Runners Rio para o NikeCorre. A foto do post de 1º de junho foi premiada pela MPB FM, só não consegui ainda saber qual será o prêmio prometido. Nesta semana é só burilar, descansar e abastecer o tanque.







03 junho 2009


As chuvas já deixaram 408 mil desalojados e desabrigados em 429 municípios em 12 estados do Brasil. No Nordeste, o Maranhão é o estado que tem o maior número de municípios atingidos, 105. Depois vem o Ceará com 86, o Piauí com 41, Rio Grande do Norte e Paraíba com 30 cada, Pernambuco com 17, a Bahia com 11, Sergipe com 8 e finalmente Alagoas com 5.
O resultado disso são 281.350 pessoas desalojadas (que podem contar com ajuda de vizinhos e familiares), 127.503 desabrigadas (que perderam tudo e precisam dos abrigos públicos) e 49 mortos por causa dos desastres em oito estados.
Por lá não apareceram nem Lula que somente deu uma sobrevoada rápida e se mandou, nem o doentio José Alencar (neste momento mais preocupado em dar sua agenda de tratamento), muito menos ministro algum para dar coletivas com mapas e explicações e providências do governo que representa.
A mídia cobriu de forma secundária, enquanto as pessoas morriam afogadas em pleno Nordeste. Digo isso em paralelo ao circo que esta sendo montado por conta da queda do avião da Air France. Lá dentro havia 228 pessoas, dessas 58 eram brasileiros, porém foi tratado como um desastre nacional. O Google colocou luto em sua página principal, o O Globo editou um caderno especial na terça (02/06), as rádios e TVs ficam 24 horas explorando o assunto, quer entrevistando especialistas em aviação, desastres e resgate (como existem entendidos). Uma mobilização que enoja. Porque a morte de 58 pessoas que estão indo para Paris emociona o mundo e (por enquanto) 49 desconhecidos nordestinos morrem afogados não provoca o mesmo sentimento. A classe mérdia mostra sua mais nefasta cara quando se solidariza com ilustres desconhecidos que estão indo a Paris e ignora aquele bando de famélicos que insistem em mostrar sua desgraça. Qual destes comovidos cariocas não se veem na posição dos viajantes parisienses e não conseguem se imaginar na vida daqueles paraíbas. Sinto muito pelas famílias que tiveram alguém dentro daquele avião, mas sinto muito mais pelo pessoal lá de cima. Essa moçada não teve a décima parte da atenção e da estrutura que o pessoal da Air France teve. Pior, inundações como essa irão se repetir e o descaso continuará sendo o mesmo. E ainda nem toquei no rompimento da barragem Algodões 1...

01 junho 2009


A Rádio MPB FM tem uma promoção onde você envia uma foto sua treinando para Maratona 2009 em um cartão postal da cidade e concorre a prêmios (a gente nunca sabe quais são). Que tal em São Conrado?