20 maio 2009

Texto Retirado do Blog do Rodolfo Lucena

O medo do corredor na linha de largada

Frio na barriga


Já corri 21 maratonas e sete ultras, o que pode ser muito para alguns e pouco para outros, mas, de qualquer forma, ensina alguma coisa e dá alguma experiência.

Só não tira o medo e a emoção que me povoam a cada vez que uma nova prova se aproxima.

É certo que, mesmo em provas curtas, acabo me tensionando no dia anterior. Organizo a roupa da corrida com precisão exagerada, revejo horários de sono e alimentação, bebo água a intervalos precisos, verifico ene vezes se o despertador está funcionando e se está regulado para a hora certa do despertar (e depois reviso de novo, temendo tê-lo desregulado ao revisar).

Quando, porém, a prova é uma maratona, as coisas são multiplicadas de forma geométrica.

O tema do almoço de ontem, por exemplo, a mais de dez dias da prova, foi o horário de despertar e o meio de transporte que utilizaríamos no dia da prova.

Vamos de carro? De táxi? Alguém nos leva? Se formos de carro, onde vamos estacionar? Quanto tempo antes precisaremos sair? E, de táxi, com quem marcar? Se alguém nos levar, como podemos fazer as combinações? Será que tem ônibus até perto da largada? E se chover?

Por aí você pode imaginar a sequência. Ou não, sei lá.

Não sei de você, mas eu só encontro a tranquilidade depois do tiro da largada. Aí não tem mais o que temer nem o que fantasiar: basta correr, dar o que tem e depois ver se consegue melhorar. Engolir asfalto e cuspir vento, até chegar. E, enfim, descansar.

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