
O Eduardo Paes nunca imaginou que fosse tomar esse calor do Gabeira, nem nos seus piores pesadelos. Certamente imaginou que seu principal algoz fosse o universalmente conhecido bispo Crivela. Errou. E como errou desde então. Errou na primeira avaliação como erramos todos, mas ele não podia se dar a esse luxo. Cria dos principais caciques da política carioca, esse bem criado garotão da Zona Sul gravitou entre o Sto. Agostinho (Leblon) e tornou-se filho da PUC. Embrenhou-se por esse mundo através do antigo PFL, pelas mãos do Czar Maia e a partir da aí não parou mais. Esteve pelo PV, PFL, PTB, PSDB e finalmente PMDB. Sempre teve formação conservadora e com isso não se preparou para enfrentar alguém que é franco atirador e que tem em seus principais defeitos suas principais virtudes. Explico. Quem já ouviu falar em Gabeira sabe do seu modo de vida, pessoal e política, e não mais se chocam com as denúncias que nas eleições tradicionalmente ocorrem. Esse é o problema do Eduardo Paes, as pessoas preferem alguém com os defeitos do Gabeira, que todos já conhecem, do que com os defeitos que o próprio Paes vem apresentando aos eleitores. Tanto o PMDB, como o DEM e todos os maiores partidos estavam preparados para uma campanha tradicional. Acontece que o Gabeira foge desse arquétipo. Quando lá atrás ele só aceitou sua candidatura ressalvando que: 1. não aceitaria sujar a cidade, 2. não aceitaria indicação política para seu secretariado e 3. não atacaria seus adversários ele não sabia no que estava atirando, mas agora está vendo no que acertou. Eduardo Paes fez o que dele se esperava: emporcalhou a cidade, denegriu seus adversários, aceitou e procurou apoio de Deus e todo mundo. Apesar de ter apenas 38 anos, Paes age como em coronel da política, rezando pela cartilha das raposas de longa cauda da cartolada partidária e trazendo junto o ranço dessa gente. Já Gabeira não, posicionou-se como alternativa e deu transparência em suas atitudes. Nada de ajoelhar-se aos do Lula, implorando apoio. Nada de negociar apoio com seu algoz universal do primeiro turno, onde trocaram diversas acusações. Nada de prometer cargos à outrora inimiga Jandira "me dá um cargo aí" Feghali. O que Paes não estava preparado era pra um adversário em que injúrias não colam, pois ele já as declarou como suas. Todas. E o eleitor está enxergando isso. Não estão se surpreendendo com Gabeira, este eles já conhecem. A surpresa, negativa, é o próprio Eduardo Paes. Talvez os eleitores estejam procurando um prefeito que não mude de aliados e inimigos com tanto facilidade. O que Paes tem que aprender é que “você pode enganar uma pessoa por muito tempo, você até pode enganar alguns por algum tempo, mas o que não pode é enganar a todos por todo o tempo”.
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