
Sensação engraçada essa de reencontrar pessoas que fizeram parte de sua vida e que há mais de 20 anos não se tinha nem notícias. É como pegar um álbum de fotos, antigo, e começar a recordar. O mais interessante é que não se consegue lembrar de maus momentos e aí me recordo de como era bom ser moleque. Não se guardam maus momentos e até mesmo aqueles que na época pareciam tragédias, vistos de hoje se tornam boas lembranças. Se encontra de tudo, mas pouca coisa te surpreende, a não ser as lacunas de memória, os detalhes. Recorre-se então àqueles que ainda povoam seu presente e vai se juntando as peças do quebra-cabeça. A imagem que temos de todos é o da juventude e esse parece ser o único padrão: crescemos. Família, filhos, separações, trabalho, tudo como numa minissérie em que você escolheu o elenco. Olhando para o lado vemos nossos filhos repetindo o filme e só conseguimos dizer "na minha época...". É só saudosismo. Criam apelidos pra turma. Rivalizam com outras turmas, namoram-se e enamoram-se, namorar não, ficam. E aí vem à minha cabeça: não mudam as coisas. E de imediato, como em um suspiro: mudar pra que? Há décadas as relações vem e vão. Distanciam-se e aproximam-se. Alguns persistiram, outros foram levados para longe. A vida faz isso. Talvez reencontrar este pessoal seja como assistir a sua biografia. Um curta metragem. Aqueles que você manteve por perto, parecem estar ao seu lado e os outros que você imaginava ter perdido no tempo, reaparecem como se você estivesse a olhar por um retrovisor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário