14 fevereiro 2008
A Letícia Sabatela, o Carlos Vereza e o Osmar Prado foram ao senado fazer pressão contra as obras de transposição do Rio São Francisco, que até onde se sabe está prevista para o começo de junho deste ano. Lá ao subir na tribuna ela disse que "Espero que o debate não seja um teatro". Letícia é uma abnegada lutadora, defende suas convicções como poucos artistas hoje em dia têm coragem de fazer. Já que maioria daqueles que são chamados de formadores, está ou gostaria de estar sob patrocínio de alguma estatal. A partir daí, portanto arrumar briga pra quê? É revelador hoje não vermos mais artistas fazendo oposição. A classe artística tem relações umbilicais com o PT e com quase todos aqueles que se sustentam no poder. Já fizeram muitas passeatas, animaram comícios, apoiaram greves, fizeram campanha eleitorais e hoje tem pouca ou nenhuma isenção e coragem para confrontar-se com o estabilishment. Não se sentem à vontade. Ontem eram apaixonados pela causa e hoje "sujam as mãos". Letícia Sabatela já está ganhando estigma de chata, este é o preço cobrado para quem defende seus princípios, sabe de seu papel na vida real e atua nele com brio e dignidade, sem medo de ser feliz. Ela confronta ex-companheiros, diz que estão errados, que existe corrupção, que o governo não faz o que prometeu durante o tempo todo, mas agora não. Agora não é mais momento "de fazer bravatas", diz que este governo tem compromisso (certamente não com seu passado) e como disse o próprio Ciro Gomes hoje "Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão da massa, às vezes suja de cocô, às vezes". Agora que me digam: quem diabos os governantes acham que são para sujar as mãos como finalidade para dias melhores. Em momento algum da história da humanidade um governo agiu de forma ilícita, sujando as mãos, e transforma um país. Letícia traz com ela ainda a ingenuidade daqueles que tem a alma leve, acredita que uma sessão no senado de hoje possa não se transformar num grande teatro. A nós resta a missão de aplaudir e apoiar. Não importa se você é contra ou a favor, até porque ninguém ainda deu razões suficientes para que tivéssemos uma posição, neste caso o que vale é a intenção, a coragem, o gesto.
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