03 outubro 2006

A candidata de toga

Havia algo na Denise Frossard que eu não gostava, que me irritava e eu não conseguia identificar. Já havia ouvido e visto diversas entrevistas dela e sempre ficava com aquela sensação incômoda de que algo não estava no lugar. Não eram suas idéias, aliás, com exceção de Lula que quando é entrevistado sempre fala alguma anormalidade, todo candidato de expressão está sempre muito bem preparado e com o discurso afiado, ninguém consegue descobrir o que ele quer, nem o que pensa e muito menos se pensa. Mas algo me incomodava, achei que por ser sua primeira candidatura a um cargo executivo ainda não tivesse aqueles trejeitos dos políticos tradicionais, mas não era. Ela também já sabia expressar-se como os outros. Mexia-se premeditadamente, movimentos pensados e estudados a fim de transmitir segurança e firmeza, ela já tinha a malemolência das raposas políticas. Então, ouvindo hoje sua entrevista na CBN, descobri o que era. Seus 30 anos (segundo Sérgio Cabral foram só 14) de magistratura entortaram-lhe a boca, tal qual o faz o uso do cachimbo. Aquela arrogância da qual se vestem os juizes, que lhes dá uma aparência superior. Sua maneira interpretativa e distorcida de compreender as coisas pelo lado de sua conveniência. Aquela maneira irritante que os juizes tem de não discutir questões, mas de apresentar sentenças. Prontas e indiscutíveis. Nem a breve passagem pelo parlamento lhe tirou este ar de ser acima do bem e do mal. É isto que me irrita nela. Seu ranço de juíza.

02 outubro 2006

Diga-me com quem andas, que te direi quem és

Até 2002, Eduardo Suplicy era barbada para qualquer cargo que disputasse. Pois bem, após a eleição de Lula, mensalões, dólares na cueca, sanguessugas, Paloccigate, dossiês e que tais, ele quase perde sua vaga no senado para Guilherme Afif Domingues (uma espécie de Sancho Pança de Paulo Maluf). Bem ao seu estilo, ele terá 8 anos para encontrar melhores companhias.

Depois dizem que o carioca não sabe votar

Clodovil, Paulo Maluf, João Paulo Cunha, José Mentor, Waldemar Costa Neto, José Genoino Vadão Gomes e Antonio Palocci em São Paulo. Fernando Collor nas Alagoas. Mas Brasília se superou: José Roberto Arruda para governador e Joaquim Roriz para o senado. No Rio e em São Paulo todos os indiciados na máfia dos sanguessugas não se elegeram, agora é só prendê-los, não são mais imunes.

Para o Senado é pior

Dos 17 que se candidataram ao senado pelo Rio, 6 nomes (35%) não obtiveram nenhum voto.

Nem 1 votinho sequer

Estes são os partidos e seus candidatos que não obtiveram nenhum voto nesta eleição :
PTB (5)
PT do B (4)
PV (3)
PAN (3)
Prona (2)
PCO(2)
PDT (2)
PSDC (1)
PMDB/PMN (1)
PRB (1)
PRTB (1)
PTN(1)
PFL(1)
PL (1)
PSC (1)
PSDB (1)
PSB (1)
PPS (1)

Nem eles e nem ninguém, confiaram neles mesmos.