03 outubro 2006

A candidata de toga

Havia algo na Denise Frossard que eu não gostava, que me irritava e eu não conseguia identificar. Já havia ouvido e visto diversas entrevistas dela e sempre ficava com aquela sensação incômoda de que algo não estava no lugar. Não eram suas idéias, aliás, com exceção de Lula que quando é entrevistado sempre fala alguma anormalidade, todo candidato de expressão está sempre muito bem preparado e com o discurso afiado, ninguém consegue descobrir o que ele quer, nem o que pensa e muito menos se pensa. Mas algo me incomodava, achei que por ser sua primeira candidatura a um cargo executivo ainda não tivesse aqueles trejeitos dos políticos tradicionais, mas não era. Ela também já sabia expressar-se como os outros. Mexia-se premeditadamente, movimentos pensados e estudados a fim de transmitir segurança e firmeza, ela já tinha a malemolência das raposas políticas. Então, ouvindo hoje sua entrevista na CBN, descobri o que era. Seus 30 anos (segundo Sérgio Cabral foram só 14) de magistratura entortaram-lhe a boca, tal qual o faz o uso do cachimbo. Aquela arrogância da qual se vestem os juizes, que lhes dá uma aparência superior. Sua maneira interpretativa e distorcida de compreender as coisas pelo lado de sua conveniência. Aquela maneira irritante que os juizes tem de não discutir questões, mas de apresentar sentenças. Prontas e indiscutíveis. Nem a breve passagem pelo parlamento lhe tirou este ar de ser acima do bem e do mal. É isto que me irrita nela. Seu ranço de juíza.

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