22 junho 2006
Frescura de pop-star
Em 70 Gérson, C.A. Torres e Pelé até então, ganhavam a milésima parte do que nossas estrelas de hoje ganham, tinham pouquíssima projeção no cenário internacional (exceção feita ao Pelé), nunca foram eleitos pela Fifa, fumavam, bebiam e fugiam de concentrações, não eram garotos propaganda de multinacionais e ainda assim desafiaram Zagalo e escalaram o time que achavam melhor em 70. E cada um jogando ou não na sua posição arrebentou no México. Porque o R. Gaúcho não fala ao Parreira que fora de sua posição não pode render e prefere ficar na reserva. Porque Kaká, Cafú, R.Carlos e Emérson não falam ao Parreira que o Fofomêno está gordo e não pode jogar (aliás, que profissionalismo é este em que um titular da seleção brasileira e do Real Madrid apresenta-se 12 kg mais gordo para uma Copa Mundo). Porque Adriano, Ronaldo, Kaká e Gaúcho não avisam Parreira que os laterais estão velhos e cansados e que os reservas estão melhores já que esta é a Copa do preparo físico, como disse Parreira. Bando de medrosos e acomodados. Nem com a vida já ganha, milionários e bem-sucedidos conseguem ter opinião e mostrar personalidade. Pobre futebol brasileiro, refém de técnicos como Parreira, medroso e oportunista. Por isso a seleção de 70 é inesquecível.
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